Tem cada coisa que leio, que instantaneamente meu estômago reage com enjoos inevitáveis, minha cabeça dói e gira ao mesmo tempo, minhas mãos tremem com o nervosismo que acelera minha respiração. Até a boca fica seca. É somente nesse momento que o determinismo biológico pode ser comprovado por uma causa exterior.
Rodrigo Constantino, em seu blog de mesmo título, escreveu no dia 29 de março um texto entitulado "O impacto do Clima na Cultura". Mesmo que no início tenha afirmado não acreditar em determinismo de nenhum tipo, seja genético, social, climático ou histórico. Nenhuma força exógena ao homem determina seu destino; termina o mesmo (e primeiro) parágrafo dizendo: A natureza contribui – para o bem ou para o mal – na moldagem da mentalidade predominante de um povo. Constantino não é Constante. Tenta abrandar a expressão"determinismo" com "contribuição". Se assim fosse, nos dias frios no Brasil, nínguém diria: "Nossa, como eu queria estar agora embaixo das cobertas... Com esse friozinho, dá vontade de ficar deitado, curtindo a chuva, tomando um café na cama...", mas iria correndo para o trabalho como um maníaco pela labuta.
Utilizando citações de Viktor Frankl, Bentham, Montesquieu, Kant, David Hume, John Stuart Mill, Malthus, Thomas de Quincey, Alfred Marshall e até de Karl Marx, Constantino fez assim uma construção fundamentada acerca do determinismo. O incrível é que baseou-se em vários pensadores, filósofos de variadas épocas históricas, mas que são, respectivamente, da Áustria, Inglaterra, França, Alemanha, Escócia, Inglaterra de novo, Inglaterra mais uma vez, Inglaterra once more, Inglaterra ever e Alemanha novamente. Imagino quanta motivação científica está atrelada às teorias, nesse aspecto.
Apresentei trabalho em sala de aula sobre Montesquieu. Slides, livrinhos nos braços, eu e minhas colegas apreensivas. Anteriormente, lembro de quando discutimos sobre o conteúdo, a metodologia e o desenvolvimento de tal apresentação. Achamos a visão crítica fascinante...
Realmente, o Barão de Montesquieu afirmou que nos países frios há menor sensibilidade aos prazeres; nos temperados, ela é um pouco maior, e, nos países quentes, ela é extrema. O calor do clima pode ser tão excessivo que o corpo perde todo o vigor. A prostração alcança, dessa maneira, até mesmo o espírito: nenhuma curiosidade ou nobreza de propósito, nenhum sentimento generoso. Todas as inclinações se tornam passivas, e a preguiça se confunde com a felicidade.
Ainda segundo ele, a formação e consolidação da democracia ou do despotismo variam, diretamente, com a proporção territorial e seu respectivo clima. Em um território extenso, de clima tropical, a probabilidade de um Estado ser despótico é muito maior, já que os indivíduos estão mais distantes uns dos outros e assim seriam mais suscetíveis à dominação. Agora, já em territórios menores, de clima temperado, a democracia é o sistema adequado. Montesquieu não aprofundou sobre essa teoria. E nem precisava.
Francês aristocrata, viveu durante parte do século XVIII, época na qual as explorações européias disseminavam pelo "mundo novo". Como legitimar essa conduta? Pobres países recém descobertos, desconhecedores do catolicismo e da cultura civilizada, dos progressos da humanidade. Dá-lhes roupas, jesuítas, tiros de fogo e "trabalho"! Como são perguiçosos, esses indígenas sem pêlos! Nem sabem como aproveitar tanta riqueza natural...Mas nós o sabemos.
Logo, a conclusão proposta por Montesquieu: a culpa, logicamente, está no clima quente e úmido e na ampla extensão dos territórios conquistados. Não é uma simples coincidência com o interesse europeu que seja neles instaurada uma dominação. É porque assim foi predeterminado...
Determinar que algo é, simplesmente porque é, não me satisfaz. E não satisfaz quem fica subordinado, colocado em uma posição desfavorável por um interesse econômico, político ou cultural. Pode o homem doutrinar, sem embasamentos científicos, para agregar valores que promovam contribuição, determinação, subordinação, escravização?
James Watson (american men) publicou artigo no qual "explicava" o dom da inteligência, de acordo com os continentes e superioridade de raças. "DefenDeus" a tese de que se o homem for negro terá, biologicamente, menos capacidade intelectual que um branco. Suposições de um "loiro de olhos azuis" sem nenhuma comprovação científica. E o pior que que ele deve pensar que um dia encontrará essa confirmação em algum gene... Pesquisas como as britânicas geralmente mais pareceriam piadinhas sem graça, não fosse a tragicidade de suas colocações: "Homossexualismo pode ser curado", "Mulheres se sentem mais atraídas por homens com carros caros, diz estudo".
(In) Constantino faz uma referência em seu texto, para contrapor a idéia determinista: A responsabilidade pelo atraso cultural brasileiro, pelo nosso “jeitinho”, pela mentalidade que enaltece a “Lei de Gérson”, não pode ser jogada nos ombros dos “loiros de olhos azuis”. Ela é somente dos próprios brasileiros. Com isso, parece interpretar a realidade como uma condição advinda do nada, e não como uma construção histórica na qual esta enraizada, ou como se a conjunção política e econômica a que faz parte fosse isolada e independente. Deve defender tal perspectiva por ter os olhinhos castanhos.
E ainda termina com a frase de Eugênio Gudin (esse eu nem precisei pesquisar para saber que é brasileiro): Os países da América Latina não precisam criar uma civilização. Ela já foi criada pela Europa nos últimos quatro séculos. Cabe-nos assimilar essa civilização. Concordo, mas acrescento: não só assimilar, como também caminhar com pernas próprias, que conduzirão a um caminho de reconhecimento da soberania brasileira como Estado e cultura, e não um objeto de determinismo do calor. A começar pela maioria dos brasileiros, que criaram o estereótipo do baiano assim como o do português.
Eis minha determinação intelectual provocada por conceitos deterministas. Provocou o contrário. E agora?
Para dançar la bamba,
Para dançar la bamba
Precisa-se de um pouco de graça!
De um pouco de graça e outra coisa.
Ai, vamos lá, vamos lá!
Ai, vamos lá, vamos lá!
Por você serei,
Por você serei, por você serei!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Eu não sou marinheiro!
Eu não sou marinheiro,
Sou capitão, sou capitão!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Ai vamos lá, ai vamos lá!
Ai, vamos, vamos, por você serei,
Por você serei, por você serei!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Na minha casa me chamam,
Em minha casa me chamam de inocente.
Porque gosto das garotas,
Porque gosto das garotas de 15 a 20 anos!
Ai, vamos lá, ai vamos lá!
Ai, vamos, vamos!
Por você serei,
Por você serei, por você serei!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Para subir aos céus,
Para subir aos céus
Precisa-se de uma longa escada,
De uma escada longa e outra pequena!
Ai vamos lá, vamos!
Ai vamos lá, vamos, por você serei,
Por você serei, por você serei!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Bamba, la bamba!
Yo no soy brasileiro,
soy capitan,
soy capitan,
soy capitan...