domingo, 29 de janeiro de 2012

Legal é mudar de opinião, se rever. Se for para ficar estática e irredutível, a vida fica tão chata como uma vida-morta.

domingo, 10 de julho de 2011

Meu Orkut


Quem tem medo do Facebook?



Meu nome: Narcisista.


Quem sou eu: alguém muito invejado, sua inveja faz a minha força. Tenho muitos S2 pra dar, mas pouco conteúdo para dividir. Divulgo minhas fotos com a minha galera, que sempre me manda scrap: "Te amo!", "Saudade, miga!". Tenho 572 amigos, mas não vejo mais da metade há muito tempo. Meus fãns são em mesmo número.


O que gosto de fazer: ora! Meu prazer é ser um exibicionista medíocre, ostentando minha vida sem graça, entre um erro de português e outro, resumindo minha pretensão de ser bom em alguma coisa em frases pré-fabricadas e vazias.


Idade: mental, 8.


Comunidades: todas as mais genéricas e patéticas possíveis, como "Um amor pra vida inteira", "Sua inveja faz a minha fama", "Sou preguiçoso!" (Garfield sorrindo).


Perfil: fico no Orkut durante horas, procurando uma maneira de falar da vida alheia. Isso, logicamente, porque a minha própria, além de inútil, traz à tona a frustração de não ter perspectiva, nesse caminho que sigo. Acho a grama do vizinho muito mais verdinha, com tanta e a mesma futilidade, eu me divirto muito!


Comida preferida: a grama.


Livro preferido: O Pequeno Príncipe.


Frase do livro preferido: hihihihihi...


Jogos preferidos: Minha Fazendinha Mágica, jogos com bichinhos fofinhos e coloridos ou com meu ídolo musical.


Fotos: Aaaah, essa é a melhor parte. Deixo sempre privativas para os meus miguxos, só para matar de raiva os panacas que insistem em querer me ver. Morro de raiva quando tento ver fotos bloqueadas.


(Entrevista concedida por Narcisista Emma Horróida).







Rafinha non Basta



Caro Rafinha Bastos,




Venho por meio deste lhe congractular por suas piadas. Enfoques políticos e culturais explorados pela ironia sem medo, o riso pela desgraça que faz refletir sobre conceitos, estereótipos. Mas tenho que lhe advertir: estamos no país do politicamente correto, em que o governo ainda tem a verdadeira cara de pau em ministrar na educação aulas com revistinhas sobre sexualidade para crianças no ensino fundamental.




O paternalismo passa da fronteira da individualidade, do respeito. Interfere na educação que é papel familiar, social, ou de escolhas. Inferioriza o indivíduo como um burro sem alma, refém das decisões estatais, um pobre coitado sem estrutura familiar, sem iniciativa para discernir o que é melhor para ele.




Fale do estupro ser uma salvação para as mulheres feias, sim, dá vontade de rir mesmo. Contudo, o politicamente correto engole seco, faz cara de quem comeu e não gostou, olhar de reprovação pelo seu ato de incentivo ao crime. E vai correndo à todas as instâncias para te colocar na cadeia.




Manifestar opinião, que é colocada em um funil do que é bom ou ruim, parece muito mais uma tarefa sem graça, sem provocação, sem autenticidade. O cuidado que temos que ter ao falar faz um discurso com medo e enche de clichês as palavras. Ontem, no programa televisivo "Altas Horas" (é, de índio mesmo), perguntaram pro Paulo Ricardo o que ele achava do cenário do rock atual brasileiro. Platéia muda. E o cara me fala que "anh, enh... Bom, hoje eles cuidam muito mais da imagem, né...". Falou tantas outras coisas que de tão nada, nem me lembro.




Eu acho o rock atual uma merda, e não aceito o professor do meu filho se incumbir de educá-lo com folhetins erotizados do governo.




Rafinha,


Você, meu amigo, não citou nome de ninguém, não falou pra ninguém sair por aí estuprando. Estava lá, no seu stand up, tentando fazer a galera rir do que é sério. Agora, esqueça das piadas sobre negro, bicha, gordinha, loira, português, quiçá papagaio. O IBAMA também pode entrar na onda.








sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Em cem anos, não haverá mais ninguém que está aqui hoje. Às vezes, esse pensamento me vem à cabeça, e já até cheguei a comentar com algumas pessoas, que respondem com um olhar de surpresa. Engraçado, achamos que somos eternos. Achamos que uma nota de papel é eterna, que um bom emprego é eterno, que nossos pais são eternos.

Em cem anos, não existirá mais aquele pipoqueiro na rua, a professora gordinha, o chefe e todos os colegas de trabalho, a avó que faz biscoitos, a mulher presidente da república, o bebê que nasceu agora do outro lado do mundo.

Não quero mais perder meu tempo. Se tudo de material é tão efêmero, vou prender meu foco e atenção no que pode ser imortal: a paz, meu legado de contribuição de amor, que é o que fica.

Mais engraçado ainda: as coisas eternas não são vendidas (ou alienáveis, só para não perder meu condão jurídico. Risos.).

Eu acho que também quero uma casa no campo.

Quem tem medo do Mala Man?

Quando pequena, todas as noites minha mãe rezava comigo, junto à cama, e ao mesmo tempo em que ela me ensinava a oração e a fé, acabava por incutir em mim um medo de um ser desconhecido, talvez um vilão de histórias de super-heróis, do qual rogávamos para que Deus nos livrasse:

"(...) E livrai-nos do Mala Man."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Florentina

Um país que elege Tiririca, tem mais é que se fuder mesmo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Frieza

Andei fazendo uma reflexão acerca dessa tal de frieza que muitas pessoas, mas muitas mesmo, insistem em afirmar que sentem, quando se trata de um relacionamento amoroso. Eu mesma, várias vezes em conversas com amigos, tive a postura firme em me autodeterminar como fria em namoros, rolos, quase que como uma ideologia. Falar que choro, que me preocupo, que morro de ciúmes ou que adoro chamar o outro de neném guti-guti seria como uma humilhação que partisse de mim.
Além disso, dizer que não gosto de ficar recebendo ligações, que prefiro encontrar somente aos finais de semana, que não suporto ninguém "no meu pé", que posso viver sozinha ou mesmo que não me apaixono facilmente, me dá um ar de independente, auto-suficiente, moderna.
Tratar com carinho virou breguice. Dizer que ama é motivo para ser debochado. Quem olha nos olhos é bobo. Falar que está apaixonado é piegas. O legal é ser frio, como uma pedra de gelo constante, determinada, irredutível.
Será que a força é demonstrada pela brutalidade? Ter medo de assumir sentimentos não é frieza, é uma fraqueza do aparente forte, é o medo de parecer ser o que é. A insegurança faz com que a pose de soldado tente convencer a qualquer um, às vezes consegue convencer até a si mesmo, por incrível que pareça!
Quão ridículo, em minha perspectiva, é aquele que se impõe, que quer chamar a atenção em qualquer lugar que for, que destrata a mulher, colegas de trabalho, familiares e amigos por ser hierarquicamente ou finaceiramente superior naquele momento... A pobreza não é percebida com os olhos da admiração, por parte da maioria dos tolos, que ainda tem coragem de invejá-lo!
Muitas vezes, é dito que essa frieza voluntária (sempre é voluntária, somos seres humanos!) é manifestada por sofrimentos anteriores, por um passado professor, que ensinou à palmatórias a não confiar em ninguém. Isso também é uma massagem tailandesa no ego, mais uma vez, já que assim a postura de pessoa experiente, vivida, esperta, é afirmada para quem quiser ouvir. Mas a repetição não transforma a realidade.
Respeito é conquistado por atitudes sinceras, não a base de olhares frios de rejeição. Alguém que afirma não gostar de receber e dar carinho pode, ou estar enquadrado na situação que tento explanar agora, ou então sofre de psicopatia.
Afinal, tomar partido de si mesmo é muito mais charmoso que viver à sombra dos outros ou do que as suas atitudes possam repercutir no próprio modo de ser. Se riem quando digo que amo pelo telefone, me pergunto por que insistir em não querer sentir tudo isso, que é tanto. Só não é para eles maior que eles mesmos.
E que nunca entrem em extinção os velhinhos de mãos dadas nas ruas!