sábado, 14 de março de 2009

Vá viver dentro de uma bolha!



Estava ela andando pela rua, ambiente público e aberto, quando ouviu um homem, atrás de si, dizer em tom imperativo: "Nossa, esses fumantes deviam borrifar desodorante por onde passam! Esse cheiro é insurpotável!". Ao passar ao seu lado, tocou em seus ombros, de maneira quase que solidária, e falou: "Isso te faz muito mal, minha querida." Então, ela abaixou os óculos escuros, olhou bem em seus olhos e lhe disse: "Vá viver em uma bolha então."

A reação foi de espanto. "Como uma garotinha besta me fala isso?", deve ter pensado. Rebateu alertando de que era ela quem vivia em uma bolha. A resposta foi imediata: "Tanta intolerância é sinal de quem quer se isolar, afinal, tudo deve causar incômodo ao senhor, até doenças mais graves e comuns. Imagino a mesma compaixão com a situação de um mendigo fedido, o mau cheiro dele muito deve desgradá-lo também.

E a sua militância fervorosa contra o uso da maconha, não pelo fato de patrocinar a violência, a vida boa de traficantes e a manutenção do tráfico de drogas, mas simplesmente pelo cheiro forte que deixa no "seu ar". Será que não gostaria de se isolar disso tudo, ou mesmo não ia querer colocar todos em uma bolha, bem distante do seu narizinho sensível?

O seu desodorante exala odor. É a maneira de camuflar o que é irremediável às suas narinas. É um protesto ineficaz que se dissipa com o ar. É o governo promovendo suas bolsas socias. Por que não pega esse cigarro da minha mão e o joga longe? Afinal, é o seu imposto que paga o meu SUS, quando tivermos o nosso câncer de pulmão. Qualquer semi-analfabeto sabe que essa porra faz mal à saúde. Mas é essa a solução, tirana, desrespeitosa e imediata de resolver os problemas com os quais estamos habituados?

Isole-se. E o quanto antes. Porque todos continuarão a comprar cigarros. Todos permanecerão caindo em miséria. Todos colocarão vendas e bolhas para não sentir a realidade. E nem todos serão todos para você. Cuidado para não se sufocar sozinho..."