Caro Rafinha Bastos,
Venho por meio deste lhe congractular por suas piadas. Enfoques políticos e culturais explorados pela ironia sem medo, o riso pela desgraça que faz refletir sobre conceitos, estereótipos. Mas tenho que lhe advertir: estamos no país do politicamente correto, em que o governo ainda tem a verdadeira cara de pau em ministrar na educação aulas com revistinhas sobre sexualidade para crianças no ensino fundamental.
O paternalismo passa da fronteira da individualidade, do respeito. Interfere na educação que é papel familiar, social, ou de escolhas. Inferioriza o indivíduo como um burro sem alma, refém das decisões estatais, um pobre coitado sem estrutura familiar, sem iniciativa para discernir o que é melhor para ele.
Fale do estupro ser uma salvação para as mulheres feias, sim, dá vontade de rir mesmo. Contudo, o politicamente correto engole seco, faz cara de quem comeu e não gostou, olhar de reprovação pelo seu ato de incentivo ao crime. E vai correndo à todas as instâncias para te colocar na cadeia.
Manifestar opinião, que é colocada em um funil do que é bom ou ruim, parece muito mais uma tarefa sem graça, sem provocação, sem autenticidade. O cuidado que temos que ter ao falar faz um discurso com medo e enche de clichês as palavras. Ontem, no programa televisivo "Altas Horas" (é, de índio mesmo), perguntaram pro Paulo Ricardo o que ele achava do cenário do rock atual brasileiro. Platéia muda. E o cara me fala que "anh, enh... Bom, hoje eles cuidam muito mais da imagem, né...". Falou tantas outras coisas que de tão nada, nem me lembro.
Eu acho o rock atual uma merda, e não aceito o professor do meu filho se incumbir de educá-lo com folhetins erotizados do governo.
Rafinha,
Você, meu amigo, não citou nome de ninguém, não falou pra ninguém sair por aí estuprando. Estava lá, no seu stand up, tentando fazer a galera rir do que é sério. Agora, esqueça das piadas sobre negro, bicha, gordinha, loira, português, quiçá papagaio. O IBAMA também pode entrar na onda.
