sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Em cem anos, não haverá mais ninguém que está aqui hoje. Às vezes, esse pensamento me vem à cabeça, e já até cheguei a comentar com algumas pessoas, que respondem com um olhar de surpresa. Engraçado, achamos que somos eternos. Achamos que uma nota de papel é eterna, que um bom emprego é eterno, que nossos pais são eternos.

Em cem anos, não existirá mais aquele pipoqueiro na rua, a professora gordinha, o chefe e todos os colegas de trabalho, a avó que faz biscoitos, a mulher presidente da república, o bebê que nasceu agora do outro lado do mundo.

Não quero mais perder meu tempo. Se tudo de material é tão efêmero, vou prender meu foco e atenção no que pode ser imortal: a paz, meu legado de contribuição de amor, que é o que fica.

Mais engraçado ainda: as coisas eternas não são vendidas (ou alienáveis, só para não perder meu condão jurídico. Risos.).

Eu acho que também quero uma casa no campo.

Quem tem medo do Mala Man?

Quando pequena, todas as noites minha mãe rezava comigo, junto à cama, e ao mesmo tempo em que ela me ensinava a oração e a fé, acabava por incutir em mim um medo de um ser desconhecido, talvez um vilão de histórias de super-heróis, do qual rogávamos para que Deus nos livrasse:

"(...) E livrai-nos do Mala Man."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Florentina

Um país que elege Tiririca, tem mais é que se fuder mesmo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Frieza

Andei fazendo uma reflexão acerca dessa tal de frieza que muitas pessoas, mas muitas mesmo, insistem em afirmar que sentem, quando se trata de um relacionamento amoroso. Eu mesma, várias vezes em conversas com amigos, tive a postura firme em me autodeterminar como fria em namoros, rolos, quase que como uma ideologia. Falar que choro, que me preocupo, que morro de ciúmes ou que adoro chamar o outro de neném guti-guti seria como uma humilhação que partisse de mim.
Além disso, dizer que não gosto de ficar recebendo ligações, que prefiro encontrar somente aos finais de semana, que não suporto ninguém "no meu pé", que posso viver sozinha ou mesmo que não me apaixono facilmente, me dá um ar de independente, auto-suficiente, moderna.
Tratar com carinho virou breguice. Dizer que ama é motivo para ser debochado. Quem olha nos olhos é bobo. Falar que está apaixonado é piegas. O legal é ser frio, como uma pedra de gelo constante, determinada, irredutível.
Será que a força é demonstrada pela brutalidade? Ter medo de assumir sentimentos não é frieza, é uma fraqueza do aparente forte, é o medo de parecer ser o que é. A insegurança faz com que a pose de soldado tente convencer a qualquer um, às vezes consegue convencer até a si mesmo, por incrível que pareça!
Quão ridículo, em minha perspectiva, é aquele que se impõe, que quer chamar a atenção em qualquer lugar que for, que destrata a mulher, colegas de trabalho, familiares e amigos por ser hierarquicamente ou finaceiramente superior naquele momento... A pobreza não é percebida com os olhos da admiração, por parte da maioria dos tolos, que ainda tem coragem de invejá-lo!
Muitas vezes, é dito que essa frieza voluntária (sempre é voluntária, somos seres humanos!) é manifestada por sofrimentos anteriores, por um passado professor, que ensinou à palmatórias a não confiar em ninguém. Isso também é uma massagem tailandesa no ego, mais uma vez, já que assim a postura de pessoa experiente, vivida, esperta, é afirmada para quem quiser ouvir. Mas a repetição não transforma a realidade.
Respeito é conquistado por atitudes sinceras, não a base de olhares frios de rejeição. Alguém que afirma não gostar de receber e dar carinho pode, ou estar enquadrado na situação que tento explanar agora, ou então sofre de psicopatia.
Afinal, tomar partido de si mesmo é muito mais charmoso que viver à sombra dos outros ou do que as suas atitudes possam repercutir no próprio modo de ser. Se riem quando digo que amo pelo telefone, me pergunto por que insistir em não querer sentir tudo isso, que é tanto. Só não é para eles maior que eles mesmos.
E que nunca entrem em extinção os velhinhos de mãos dadas nas ruas!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Se eles...

E se eles nos filmassem quando levamos para casa a caneta do escritório?
E se nos gravassem quando falamos que queremos mamar nas tetas do governo, com o Auxílio-doença de uma doença inexistente e incurável?
E se nos pegassem quando o troco a mais é colocado rapidamente no bolso (ou até mesmo na cueca)?
E se nos investigassem quando doações são revertidas em dinheiro nas nossas contas?
E se nos pegassem quando tiramos proveito do erro ou ingenuidade alheios?
E se grampeassem o telefone do trabalho enquanto o usamos para conversas particulares?
E se eles fizessem um Big Brother das nossas consciências?
E se câmeras pela cidade flagrassem o roubo cotidiano praticado pelo cidadão de bem (Olho Vivo!)?
E se nos surpreendessem jogando o lixo na rua (geladeira, garrafa pet, papel de bala)?
E se nos repreendessem por dar um jeitinho, pedindo favores à influências porcas, imediatas e desonestas?
Eles?
Políticos sendo investigados em CPIs, agradecendo em oração pelo dinheiro na meia, usando o dinheiro que pagamos para fins egoístas...
Eles iriam rir.
Afinal, não passam de um espelho.