domingo, 10 de julho de 2011

Meu Orkut


Quem tem medo do Facebook?



Meu nome: Narcisista.


Quem sou eu: alguém muito invejado, sua inveja faz a minha força. Tenho muitos S2 pra dar, mas pouco conteúdo para dividir. Divulgo minhas fotos com a minha galera, que sempre me manda scrap: "Te amo!", "Saudade, miga!". Tenho 572 amigos, mas não vejo mais da metade há muito tempo. Meus fãns são em mesmo número.


O que gosto de fazer: ora! Meu prazer é ser um exibicionista medíocre, ostentando minha vida sem graça, entre um erro de português e outro, resumindo minha pretensão de ser bom em alguma coisa em frases pré-fabricadas e vazias.


Idade: mental, 8.


Comunidades: todas as mais genéricas e patéticas possíveis, como "Um amor pra vida inteira", "Sua inveja faz a minha fama", "Sou preguiçoso!" (Garfield sorrindo).


Perfil: fico no Orkut durante horas, procurando uma maneira de falar da vida alheia. Isso, logicamente, porque a minha própria, além de inútil, traz à tona a frustração de não ter perspectiva, nesse caminho que sigo. Acho a grama do vizinho muito mais verdinha, com tanta e a mesma futilidade, eu me divirto muito!


Comida preferida: a grama.


Livro preferido: O Pequeno Príncipe.


Frase do livro preferido: hihihihihi...


Jogos preferidos: Minha Fazendinha Mágica, jogos com bichinhos fofinhos e coloridos ou com meu ídolo musical.


Fotos: Aaaah, essa é a melhor parte. Deixo sempre privativas para os meus miguxos, só para matar de raiva os panacas que insistem em querer me ver. Morro de raiva quando tento ver fotos bloqueadas.


(Entrevista concedida por Narcisista Emma Horróida).







Rafinha non Basta



Caro Rafinha Bastos,




Venho por meio deste lhe congractular por suas piadas. Enfoques políticos e culturais explorados pela ironia sem medo, o riso pela desgraça que faz refletir sobre conceitos, estereótipos. Mas tenho que lhe advertir: estamos no país do politicamente correto, em que o governo ainda tem a verdadeira cara de pau em ministrar na educação aulas com revistinhas sobre sexualidade para crianças no ensino fundamental.




O paternalismo passa da fronteira da individualidade, do respeito. Interfere na educação que é papel familiar, social, ou de escolhas. Inferioriza o indivíduo como um burro sem alma, refém das decisões estatais, um pobre coitado sem estrutura familiar, sem iniciativa para discernir o que é melhor para ele.




Fale do estupro ser uma salvação para as mulheres feias, sim, dá vontade de rir mesmo. Contudo, o politicamente correto engole seco, faz cara de quem comeu e não gostou, olhar de reprovação pelo seu ato de incentivo ao crime. E vai correndo à todas as instâncias para te colocar na cadeia.




Manifestar opinião, que é colocada em um funil do que é bom ou ruim, parece muito mais uma tarefa sem graça, sem provocação, sem autenticidade. O cuidado que temos que ter ao falar faz um discurso com medo e enche de clichês as palavras. Ontem, no programa televisivo "Altas Horas" (é, de índio mesmo), perguntaram pro Paulo Ricardo o que ele achava do cenário do rock atual brasileiro. Platéia muda. E o cara me fala que "anh, enh... Bom, hoje eles cuidam muito mais da imagem, né...". Falou tantas outras coisas que de tão nada, nem me lembro.




Eu acho o rock atual uma merda, e não aceito o professor do meu filho se incumbir de educá-lo com folhetins erotizados do governo.




Rafinha,


Você, meu amigo, não citou nome de ninguém, não falou pra ninguém sair por aí estuprando. Estava lá, no seu stand up, tentando fazer a galera rir do que é sério. Agora, esqueça das piadas sobre negro, bicha, gordinha, loira, português, quiçá papagaio. O IBAMA também pode entrar na onda.